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Na boquinha da garrafa

 

Já ouvi esta história inúmeras vezes e a cada vez que isto acontece, é impossível não imaginar a situação pensando-a um tanto ridícula e ao mesmo tempo extremamente engraçada.

 

Rafael é um grande cara, não só na sua estatura muito alta mas também no seu intelecto e grande senso de humor. Almir, outro grande cara, em todas as dimensões, possuidor de uma característica impar: tem um mau humor impressionante pelas manhãs (já melhorou muito nos últimos tempos) e dono de uma alegria, bom humor e uma presença de espírito sem igual às tardes, acho que é a felicidade de estar voltando para casa, é o que podemos chamar de 2 em 1.

Ambos criadores de uma antiga linha de fretado para o centro de São Paulo dissidentes de uma outra linha que podemos chamar de extremamente chata à qual, logicamente, os dois não se encaixavam.

 

Sexta-feira, costumeiro happy hour na viagem de volta. Época: não sei ao certo mas o grupo musical “É o Tcham” fazia o maior sucesso nas paradas. O Mineirinho, DJ do ônibus, alegrava a festa com seu laser boy sobre o ombro. A música e a coreografia, Na Boquinha da Garrafa, eram a coqueluche do momento. Naquele dia, além das tradicionais cervejas, alguém providenciou uma garrafa de JimBim, uma cachacinha porreta. Algumas doses de JimBim para cá, algumas cervejinhas para lá e eis que surge uma aposta entre os dois grandalhões acima – diga-se de passagem: grandes amigos até hoje. A aposta, não me lembro qual era ela, foi perdida pelo Rafael que teria que pagá-la para não sofrer ainda mais nas mãos dos colegas.

 

Via Anhanguera, pedágio de Valinhos, o ônibus para para pagar (ainda não havia o Sem Parar), a porta se abre, o Rafael desce do ônibus com a garrafa de JimBim nas mãos, se dirige para o centro da pista à frente do ônibus para ser melhor iluminado pelos faróis, coloca a garrafa no asfalto e começa a dançar freneticamente “Na Boquinha da Garrafa”. Todos os passageiros amontoados na frente do ônibus, alguns também desceram para ajudar a dar ritmo à dança e o pátio do pedágio se transformou em um imenso palco, ou será picadeiro.

As vezes imagino a cena como ridícula ou até grotesca mas lamento muito não estar presente naquele dia. Deve ter sido imensamente divertido.

 

(À grande amizade destes dois grandalhões – SZP 23/08/03)