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Presente de Papai Noel

Final do ano de 2001, o clima de Natal já tomava conta de tudo e de todos e não seria diferente em nosso ônibus. Tínhamos uma colega de viagem, tipo alemã, loira, alta, muito alta, bonita e de corpo forte e escultural que adorava uma cerveja embora seu organismo não tivesse muita resistência para a bebida o que lhe deixava, às vezes, trançando as pernas (e que pernas), tinha ela um namorado dono de um ciúme doentio. Outro colega, o oposto extremo da loira, moreno, atarracado e com grande resistência ao álcool, tomava todas e não se alterava, era baixinho ao ponto de precisar de uma escada de 3 degraus caso fosse dar um beijo no rosto da loira. Outra característica do baixinho é que ele era, e ainda o é, extremamente divertido, conhecia uma infinidade de piadas e as sabia contar como ninguém. Estávamos retornando para Campinas na última sexta-feira antes do Natal e o "BAR" (nosso happy hour das sextas) estava à toda, muita cerveja, tequila e salgadinhos. Já quase em Campinas, como de costume, começamos a negociar em qual chopperia iria continuar o happy hour. Conversa daqui e conversa dali e eis que alguém pergunta ao baixinho o que ele ia querer de presente no natal e este, prontamente, respondeu que o melhor presente que ele poderia ganhar era poder entrar de Papai Noel e de braços dados com a loira em pleno Giovanetti, a maior chopperia de Campinas. Para surpresa de todos, a loira, já com alto nível de teor alcoólico no sangue, topou a brincadeira e lá fomos todos para a Giovanetti IV que possui um longo corredor central que cruza todo o grande salão. Chegando lá, escolhemos uma mesa no fundo do salão ao fim do corredor e ficamos atentos à porta aguardando a entrada do distinto casal que logo apareceu, ele de chapeuzinho de Papai Noel e de braços dados com aquela loira escultura, começamos a chamá-los indicando a mesa de forma a chamar a atenção de todos para o que acontecia. Houve um instante de silêncio geral no salão, todos os olhos se voltavam para aquela dupla que desfilava pelo corredor, uns cutucando os outros como que não acreditando em seus olhos e pedindo a confirmação do colega ao lado, como podia uma mulher linda como aquela, daquela estatura, estar de braços dados com um cara que não lhe chegava à altura dos seios e ainda por cima, de chapeuzinho de Papai Noel. Ao chegar em nossa mesa, o baixinho beija as mãos da loira e lhe puxa uma cadeira. Sentamos todos rindo, as mulheres se divertindo com o fato e nós, os homens, babando de inveja do amigo baixinho. Que presente de Natal!

Para completar a noite, como a loira ainda tinha um compromisso com o namorado ciumento, ela resolveu ligar-lhe para avisar que chegaria atrasada. Como seu celular estava sem bateria, lançou mão de um outro cujo dono, também já sob forte efeito do chopp, havia ido ao banheiro deixando o celular à mesa com instruções à loira para que, caso sua maravilhosa esposa ligasse, a informasse que ele estava no banheiro e que ligaria assim que pudesse, hoje ele reconhece a sua sorte pelo fato da esposa não ter ligado. Com o telefone à mão, a loira finalmente ligou para o namorado e falou com dificuldade pois a voz já estava totalmente embolada pelo efeito do chopp:  "Eu vou me atrasar, irq (soluço) me espera, irq. - O que? Onde eu tô? irq. Saí com uns amigos, irq. - O que? Celular? irq. Ah, é de um amigo que tá no banheiro, irq." Na segunda-feira, para nossa surpresa, ela ainda tinha o namorado.

 

szp-22/03/03